O Messias sofredor - parte 1
LIVRO DE ISAIAS.
O livro do Profeta Isaias traz um relato de como seria o sofrimento do Messias. Ofereci as minhas costas aos que me feriam, e as minhas faces aos que me arrancavam a barba; não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam. (Isaías 50:6).
Em nenhum momento o profeta afirma ter o Messias uma morte por crucificação. Mas o impressionante relato destes capítulos e o texto do “Messias sofredor”, (Isaias 52:13-53:12), traça minuciosos detalhes, que fazem-nos pintar a tenebrosa paisagem do alto do monte Calvário.
Assim é que pasmaram muitos à vista dele; pois o seu aspecto estava tão desfigurado que não era o de um homem, e a sua figura não era a dos filhos dos homens (Isaias 52:14), e olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos (Isaias 53:2).
Sobre o madeiro Cristo impressionava a todos, com seu rosto inchado pelos rudes golpes dos soldados romanos e guardas judeus (Mt.27:30; Mc.14:65; 15:19; Lc.22:64; Jo.18:22; 19:3).
Sua barba parcialmente arrancada, levando os poros de sua face a alargar-se e infeccionar, desfigurando sua face num volumoso inchaço, foi predito com a seguinte declaração “ofereci as minhas faces aos que me arrancavam a barba” (Isaias 50:6). Os tapas na face que recebeu foram meticulosamente profetizados, até mesmo antes, por Jó: “com desprezo me ferem nas faces” (Jó 16:10).
Além da violência física aplicada às suas faces, agrediam-no com escárnio através dos cuspes: “não escondi o meu rosto dos que me afrontavam e me cuspiam” (Isaías 50:6), o que foi cumprido quando Mateus registra: Então, uns lhe cuspiram no rosto e lhe deram socos... E, cuspindo nele, tiraram-lhe a cana, e davam-lhe com ela na cabeça. (Mt. 26:67; 27:30). Jó havia predito este acontecimento quando diz: “Eles me abominam, afastam-se de mim, e no meu rosto não se privam de cuspir” (Jó 30:10). Cuspir em alguém era claro sinal de repúdio e vergonha, como dissera Moisés, a respeito de sua irmã: Se seu pai lhe tivesse cuspido na cara não seria envergonhada por sete dias? (Nm. 12:14; Dt. 25:9).
Todo esse desprezo e violência sobrevieram ao Messias, conforme profetizado: E alguns começaram a cuspir nele, e a cobrir-lhe o rosto, e a dar-lhe socos, e a dizer-lhe: Profetiza. E os guardas receberam-no a bofetadas. (Mc. 14:65).
Era do conhecimento prévio de Jesus todas estas predições, pelo que assegurou aos seus discípulos: E hão de escarnecê-lo e cuspir nele, e açoitá-lo, e matá-lo; e depois de três dias ressurgirá. (Mc. 10:34; Lc. 18:32).
Jesus não só foi cuspido e ferido nas faces, mas cruelmente açoitado. No açoitamento, o condenado era preso a um poste, expondo livremente suas costas ao flagelo, sendo também profetizado: “Ofereci as minhas costas aos que me feriam” (Is. 50:6).
Os romanos utilizavam um longo chicote, chamado “flagrum” ou “flagellum”, tiras de couro com cacos de cerâmica, ossos ou mesmo lancetas de metal, que sulcava profundamente os tecidos das costas, arrancando a pele e por vezes expunha os músculos e mesmo até os ossos do condenado, que geralmente perdia a consciência, pela copiosa perda de sangue, quando não morria por causa deste método cruel de castigo.
A impiedosa lei romana não apresentava limite do número de golpes. Um clássico trecho da profecia messiânica diz:
Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Is. 53:5).
Foi ferido e oprimido por Deus, dando sua alma por expiação pelo pecado na cruz, em sacrifício substitutivo. A paz, principalmente no relacionamento com Deus, é resultado da reconciliação que efetuou Cristo, pois está escrito: “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (v. 5). Portanto desde então “justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo”, e isso devido a sua crucificação, onde Deus “fez cair sobre ele à iniquidade de todos nós”. Então, com certeza, “ele é a nossa paz” (Ef. 2:14).
Houve cura após o evento da cruz, pois por seus machucados trouxe perfeita remoção da enfermidade, sendo que ele “tomou sobre si as nossas enfermidades, e carregou com as nossas dores” (v. 4), pois, “pelas suas pisaduras fomos sarados”. (v. 5).
A crucificação é cumprimento da profecia de Isaías. Jesus foi crucificado entre malfeitores:
Então foram crucificados com ele dois salteadores, um à direita, e outro à esquerda. (Mt. 27:38; Mc. 15:27).
Quando chegou ao lugar chamado Caveira, ali o crucificaram, a ele e também aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. (Lc. 23:33).
Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. (Jo. 19:18).
O mesmo lhe lançaram em rosto também os salteadores que com ele foram crucificados. (Mt. 27:44).
Desça agora da cruz o Cristo, o rei de Israel, para que vejamos e creiamos. Também os que com ele foram crucificados o injuriavam. (Mc. 15:32).
Nestes relatos vemos o cumprimento da profecia messiânica do profeta Isaías, que afirmava:
Derramou a sua alma até a morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu. (Is. 53:12).
Sua intercessão pelos transgressores próximos, os detentos supliciados ao seu lado, obteve excelente resultado: um deles o confessou, recebendo a maravilhosa certeza de salvação na promessa de Cristo: Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso. (Lc 23:43).
Também, intercedeu pelos que ali estavam presentes dizendo: “Pai, perdoa-lhes; porque não sabem o que fazem”. (Lc. 23:34). Jesus realizou o mesmo por nós, pelo que hoje temos a certeza de alcançarmos a mesma gloriosa salvação.
Continua...