O Messias sofredor - parte 3 | IAVB - Igreja Apostólica Vale da Bênção

O Messias sofredor - parte 3

O Messias Sofredor no livro de Lamentações de Jeremias.

Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho? Atendei e vede se há dor igual a minha dor, que veio sobre mim, com que o Senhor me afligiu, no dia do furor da sua ira. Por estas coisas vou chorando; os meus olhos, os meus olhos se desfazem em águas; porque está longe de mim um consolador que pudesse renovar o meu ânimo... Turbada está a minha alma, o meu coração se derrama de tristeza (Lm.1:12,16; 2:11).

Jeremias, o profeta que chorou por Jerusalém, como também fez Jesus, olhando para sua amada cidade, lamenta-se pelo estado geral de Sião. Em suas lamentações traz um vislumbre profético, ao conclamar que os viandantes observassem sua dor. 

Quando Jesus encontrava-se elevado no madeiro, os que passavam não se comoviam com aquela cruel visão de sua agonia, como profetizou Jeremias: Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho? (Jr.1:12). Mateus observou isto nos termos: E os que iam passando blasfemavam dele, meneando a cabeça em sinal de escárnio e desaprovação. (Mt.27:39; Mc.15:29).

Mas nem mesmo Jó, que pacientemente suportou reveses inimagináveis, pode equiparar-se com Cristo em seus sofrimentos. Ninguém jamais experimentou tamanho suplício. Não há, houve ou jamais haverá alguém que suporte maior sofrimento.

Faz-nos admirar que as dores que sofria aquele profetizado por Jeremias viria diretamente do Senhor Deus, e não por obra de um inimigo externo ou qualquer outra causa ou natureza. É o Senhor que o aflige, “no furor da sua ira” (Lm.1:16). Lembra-nos o relato do Servo Sofredor de Isaías 53, que foi ferido por Deus e oprimido.

Aqui novamente o seu coração “se derrama”, como é profetizado em Salmos 22:14. Desta vez, não por obra do soldado romano e sua lança, mas derrama-se de tristeza. (Lm. 2:11).

Eu sou o homem que viu a aflição causada pela vara do seu furor... Levantou trincheiras contra mim, e me cercou de fel e trabalho... Ainda quando grito e clamo por socorro, ele exclui a minha oração. (Lm.3:1,5,8).

Aqui o Santo Sofredor continua a ratificar que seu sofrimento provém do Senhor. Sua aflição é proveniente da “vara do seu furor”. O Senhor Deus o cerca de amargura (fel) e pesar e sofrimentos (trabalho).

Isaías informa-nos que o Servo Sofredor, Jesus Cristo, realizaria grandioso trabalho com sua alma: Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo justo justificará a muitos, e as iniquidades deles levará sobre si. (Is.53:11).

Ao enfrentar este momento suplica por auxílio, que lhe é negado, pois como vaticinou Jeremias, “quando grito e clamo por socorro, ele exclui a minha oração”. (Lm.3:8). Foi quando Jesus clamou: Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste? e não encontrou auxílio ou resposta.

Ainda profetiza Jeremias a balbúrdia do povo contra Jesus: Fui feito um objeto de escárnio para todo o meu povo, e a sua canção o dia todo. (Lm.3:14). Não são os inimigos ou indivíduos de outra nação, mas o seu próprio povo que o escarnecia. Não foi exatamente o que encontrou Jesus até o final de sua vida?

Dê a sua face ao que o fere; farte-se de afronta. (Lm.3:30). Em vários momentos Jesus teve sua face ferida com violência. Fora afrontado grandemente. Diante do sumo sacerdote, que deveria recebê-lo, reconhecendo nele o tão ansiado cumprimento das profecias messiânicas, foi ferido com um desmoralizador tapa na face, aplicado por um dos guardas de Anás: E, havendo ele dito isso, um dos guardas que ali estavam deu uma bofetada em Jesus, dizendo: É assim que respondes ao sumo sacerdote? Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; mas, se bem, por que me feres? (Jo.18:22,23).

Em ímpio escárnio também outros o esbofetearam, dizendo: Profetiza-nos, ó Cristo, quem foi que te bateu? (Mt.26:8; Mc.14:65). Também os soldados de Pilatos o agrediram: E chegando-se a ele, diziam: Salve rei dos judeus! E davam-lhe bofetadas. (Jo.19:3). Desta forma Jesus, dando sua face ao que o feria, ficou cheio de afronta, como predissera Jeremias em suas lamentações.

Isto é o que ensinara a seus seguidores, ao dizer: Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. (Mt.5:39; Lc.6:29). Ensinou com autoridade, pois o que ensinou, viveu. Àquele belo e celestial rosto agrediram. Porém nós, na glória, o haveremos de ver, glorificado, formosíssimo, como nos promete o Apocalipse “e verão a sua face” (Ap. 22:4).


Continua...